segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

“NO PALANQUE, EM DAVOS”, POR AÉCIO NEVES.

Quem acompanhou o discurso da presidente Dilma em Davos achou que não estava entendendo bem. Do ponto de vista político, a presidente tinha dois caminhos corretos para seguir. O primeiro, defender, com coragem, as escolhas que fez e as decisões que tomou nos últimos três anos. Mesmo que não obtivesse a concordância de quem a ouvia, poderia ganhar o respeito pessoal pela coerência e firmeza de suas convicções. O segundo seria o da autocrítica, o de reconhecer, ainda que tardiamente, os inúmeros erros cometidos e assumir o compromisso com a mudança de rumos ainda no pouco tempo que lhe resta de governo.
Aécio Neves –PSDB.Foto George Gianni 
Mas ela não fez uma coisa nem outra. Diante de uma plateia de especialistas ela descreveu uma realidade que não é a nossa e um governo que não é o dela, fazendo de Davos uma extensão dos palanques eleitorais em que vem transformando suas viagens pelo país. Fez de Davos mais uma escala em sua turnê pela ilha da fantasia em que o governo parece estar instalado, deixando muita gente intrigada.

O que seria mais grave: a presidente ter apresentado em importante fórum internacional um retrato do país que sabe não ser verdadeiro ou, após, repeti-lo à exaustão, ter convencido a si mesma de que se trata da realidade?

Afirmou que a inflação está controlada, quando sabemos –Davos também– que nos últimos três anos a taxa esteve sempre prestes a romper o teto da meta - e defendeu sua política fiscal, hoje conhecida pela “criatividade” de sua contabilidade. Chegou ao cúmulo de dizer que diminuiu a dívida pública bruta de 60,9% do PIB para 58,4%. Inspirada na criatividade que tão mal tem feito à nossa política fiscal, a presidente buscou o ponto mais alto da dívida no auge da crise de 2009 esquecendo-se sutilmente que, quando assumiu, ela era de 53,35%. Portanto houve, na verdade, crescimento da dívida em seu governo.

Mas, como a realidade costuma se impor, pesquisa realizada pela Bloomberg com 500 participantes do fórum apontou o Brasil como a região que oferece menos oportunidades de negócios entre as pesquisadas. Isso depois de o FMI ter divulgado estudo reduzindo as previsões de crescimento do Brasil para 2014. E da Price Waterhouse ter mostrado que o país perde espaço como opção para investimentos de grupos internacionais, e do Banco Central ter reafirmado a necessidade de continuar aumentando os juros para frear a inflação.

A presidente foi a Davos para enviar uma mensagem de segurança a investidores. Mas a ausência de sincronia entre o discurso e a realidade que todos conhecem termina por alimentar a crescente desconfiança nas relações entre agentes econômicos e governo. O Brasil continua perdendo o mais precioso de todos os ativos: o tempo. *Artigo publicado nesta segunda-feira (27) no jornal Folha de S. Paulo - por Aécio Neves.

A passagem da presidente Dilma Rousseff em Portugal deu o que falar durante o fim de semana. Após participar do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, Dilma fez uma viagem de última hora a Lisboa, fora da programação divulgada na agenda oficial. Dilma e a delegação se hospedaram em dois dos hotéis mais caros da capital portuguesa, o Ritz e o Tivoli.

O valor da diária da suíte, em que a presidente passou a noite de sábado (25), foi de R$ 26,2 mil reais. A comitiva ocupou no total 45 quartos. O Palácio do Planalto informou que a presidente estava sem “compromissos oficiais”.

Na noite do sábado, segundo informações do jornal "O Estado de S. Paulo", Dilma jantou com o embaixador do Brasil em Portugal, Mário Vilalva, e a ministra da Secretaria de Comunicação Social, Helena Chagas, em um restaurante de Lisboa. Na saída aproveitaram e trouxeram varias garrafas de vinho do porto, conforme mostra a foto. 

Editado por: Edison Franco.


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